História do Sexo - Visão religiosa da Masturbação

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Antes de entrar na época contemporânea, é importante falar sobre os conceitos da masturbação de acordo com as religiões ocidentais, já que elas são grandes definidoras da moral de todo o Ocidente.


Para começar, falaremos das religiões cristãs, já que todas bebem da mesma fonte, a Bíblia. A principal passagem que é usada como argumento contra a masturbação, é a história de Onã, presente no primeiro livro, a Gênesis. Vou dar um pequeno resumo:

Onã era filho de Judá, neto de Jacó. Seu irmão primogênito, Er, era mau e foi morto por Deus, mas era preciso seguir a importante descendência do patriarca, por isso realizaram um "casamento levirato", ou seja, casaram Onã com a cunhada e viúva de Er, Tamar. E funcionaria assim: caso Tamar engravidasse de Onã, seus filhos seriam, na real, descendentes de Er aos olhos de Deus, e receberiam a herança de Judá. Caso não tivesse, Onã que a receberia. A Gênesis 38:9 diz que, ganancioso, "Onã soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a Er", então Deus matou Onã também.

E esse versículo tornou-se o principal argumento para justificar o porque da masturbação ser errada, afinal, Deus mata quem "derrama o sêmen na terra".  Mesmo que, primeiro, Deus o tenha matado por ser ambicioso, e segundo, que a interpretação mais óbvia desta passagem refere-se ao coito interrompido, ou seja, Onã fez sexo com Tamar, mas gozou fora. Enfim, o desperdício de sêmen de qualquer forma era um pecado. Além disso, por causa desta história, é ainda muito usada a palavra "onanismo" para referir-se à masturbação masculina.


(Ah... caso queiram saber o que aconteceu com a decadência de Judá: ele mesmo teve filhos com sua nora, e Tamar teve os gêmeos Perez e Zerá.)

Não existe uma vertente da cristandade que vê de forma diferente. Católicos, ortodoxos, protestantes, luteranos, adventistas, testemunhas de Jeová... todos condenam a masturbação de forma igual.

Entre os Judeus segue a mesma ideia de Onã para justificar a proibição, a "extração do sêmen em vão", mas existem discussões que apoiam que é permitida a masturbação para recolher o sêmen a ser usado na inseminação artificial ou fertilização in vitro.

No Islamismo, de acordo com os xiitas (uma das divisões do Islã) é proibido e pronto. Entre os sunitas (outra divisão), varia de acordo com as sub-divisões e estudiosos. Pode ser haram (pecado) ou halai (permitido), mas apenas se estiver em duas situações: medo de cometer adultério ou não ter meios para casar. Uns até mesmo dizem que apenas é permitido em situações onde não aliviar vai gerar sofrimento, como ser um viajante, um prisioneiro ou um mendigo, por exemplo. Mas estes que veem uma certa abertura também são poucos, a maioria considera proibido mesmo, como os xiitas.

Nas três religiões, a masturbação feminina não é tão condenada quanto a masculina, pois para eles não é um pecado contra a vida, não há perda da "semente". No entanto, todas elas afirmam que é errado também, mas a justificativa envolve mais ter os "errados pensamentos impuros",  "manter a pureza de espírito", e outros argumentos que envolvem mais o estado puro da mulher, do que uma explicação específica como a masculina.

Com isso, à partir do século XVIII a ciência começou a tentar explicar biologicamente os males da masturbação para comungar com que a religião já dizia, e isso será o assunto do próximo post.

Referência para leitura:
Uma dica válida é sempre ler os livros religiosos: Bíblia, Torá, Alcorão, mesmo que você seja de outra religião ou ateu. Conhecer estes livros é conhecer a sociedade onde vivemos.

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