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Um ano inteiro à espera deste dia, UM MALDITO DE UM ANO INTEIRO!, e imaginem só, já passou. E o pior é que nem sei se estou feliz, se estou chateada, se estou a desejar que todos os que não votaram na Itália morram. Não sei, é um sentimento aí pelo meio. 





Admito que ainda estou a recuperar das emoções que foram as minhas últimas horas. Eu, literalmente, esperneei no sofá e chamei nomes às pessoas e essas coisas todas. Não ganhou quem eu queria, fiquei um bocado amuada. Na realidade, fiquei muito amuada e isto não vai passar assim tão cedo. No entanto, assisti ontem a uma das finais eurovisivas mais renhidas, mais emocionantes e mais fortes de sempre. A qualidade musical foi soberba e as apresentações conseguiram ser ainda melhor que isso! Claro que Portugal não esteve ao nível de toda esta qualidade e acrescentou mais um recorde ao seu cardápio de humilhações: é actualmente o país que não vai há mais anos à final. Juntando ao facto de que é o país que participa há mais anos sem nunca ter vencido, já temos condições suficientes para enfiar um saco na cabeça para não passar vergonha.

Muito aquém da qualidade musical, ficou a realização do programa. Planos mal cortados, falhas de ligação (nas votações finais foi uma festa a deitar ligações com os países abaixo e a deixar as pessoas a falar sozinhas), problemas de som, problemas de tempo. A organização foi tão idiota que construiu uma passagem para o palco com escadas, sabendo que havia uma participante em cadeira de rodas. Uma ode à estupidez!

Måns Zelmerlöw foi o grande vencedor da noite, dando à Suécia a sexta vitória e a segunda desde 2012! Tenho muitos mixed feelings acerca desta música. Não gosto, não desgosto, certamente não é a minha vencedora. Fun fact: quando a Rússia estava em primeiro eu já chamava nomes a toda a gente que não votava na Suécia, PORQUE A RÚSSIA JAMAIS PODERÁ VENCER, OK? JAMAIS! Ok, talvez um dia possam, mas não para já. Voltando ao nosso querido sueco, ele levou para casa uma vitória merecida. Apesar de os grafismos já não serem novidade para mim, há que admitir que estão muito, muito bons, e os olhos também comem. A música não é nada de muito especial, mas também serve para o que os ouvidos comem. O conjunto funcionou na perfeição e foi o suficiente para a Suécia levar mais um prémio para casa. Podia não ser a melhor música, mas em palco foi irrepreensível. Parabéns Suécia!


Não vou perder o meu tempo a falar da música da Rússia. Polina canta muito bem, é muito bonita, chora que parece uma torneira, a música é uma baladona hipócrita sobre paz e amor no mundo (muitos risos para a Rússia) mas nem sei o que eles estavam ali a fazer. Não eram eles que se recusavam a participar este ano? Portanto, para a música da Rússia, eu tenho isto a dizer:

(absolutamente nada contra a Polina, continua a achar que é uma óptima cantora!)

E agora sim, chegamos aos verdadeiros vencedores! (Elizabete vai só respirar um bocadinho, para ver se não desfalece).


PORQUE É QUE ISTO NÃO GANHOU?


Vozes excelentes, orquestração excelente, letra horrível que fica excelente porque é cantada em italiano, que mais era preciso? Não entendo, a Europa anda com tanta cera nos ouvidos que já dava para fazer velas. Enfim, foi o terceiro lugar que mais ficou atravessado na minha garganta na história do concurso. Completamente injusto, na minha opinião, ainda para mais depois de saber que eles ganharam o televoto e não ganharam graças aos júris. Lembram-se da parte da cera? Eu nem vou tentar descrever a grandiosidade deste tema, que pisa e esmaga as "Heroes" da vida. O melhor é ouvirem e tirarem as vossas próprias conclusões. 

Agora vamos dar um pouco de tempo de antena às crianças, que chegaram, viram e venceram. E da forma mais justa!


Eu não disse mal desta música. Não, eu arrasei-a por completo, com os piores adjectivos que vocês podem imaginar. Mas o que ia eu esperar de uma criança de 19 anos que eu nem consigo distinguir se é um homem ou uma mulher sem lhe olhar para a cara? Pois, eu arrasei-a, o Loïc veio e espancou-me. Levou para casa o 4º lugar depois de nos deixar uma das melhores prestações. Que voz! Que profissionalismo em cima daquele palco! Para além de que a música é algo que não me lembro de alguma vez ter visto no ESC, mas pelos vistos a inovação deu frutos. Este é, sem dúvida, o dark horse deste ano. Well done Loïc, well done Bélgica! 


Vou só mostrar-vos o que aconteceu no meu Twitter:

(Tenho quase a certeza que isto dá para ser presa por pedofilia)

Acho que já deu para perceber que eu amo toda esta performance de morte. A sério! Podiam tocar esta música no meu funeral e eu ia adorar! Colocar nas costas de um jovem de 16 anos a árdua tarefa de levar o mais longe possível um país que não qualificava para a final desde 2010 é um verdadeiro risco. Mas quando ele volta para casa com um 9º lugar, é só espantoso! E tudo o que aconteceu em palco foi excelente! A voz de Nadav pode não estar perfeita, mas quem queria saber, quando a única coisa que se queria fazer era dançar? Este concurso precisa de mais músicas assim: étnicas e modernas ao mesmo tempo e que nos façam querer dançar! A minha grande favorita, não para vencer, mas para ouvir, ouvir e ouvir. E ainda ter vontade para ouvir mais uma vez. 


Uma verdadeira menção honrosa para a Austrália, que na sua primeira participação arrecadou o 5º lugar! Se for para continuarem assim, voltem as vezes que quiserem, australianos. Serão bem-vindos! Guy é tão carismático e em palco transmite tão boa vibração que podia ficar o dia inteiro a vê-lo e a ouvi-lo. Europa, põe os olhos!


Eu vou fingir que o Elnur não cantou isto mal e porcamente. Também vou fingir que não tive vontade de ir lá ao palco e bater com os dentes dele contra o chão por ter arruinado a música. PORRA, FOSTE PERFEITO NA SEMIFINAL E AQUI FAZES ISTO? Enfim, vou continuar a amar a música, mesmo que o excelente cantor que a interpreta tenha sido o cúmulo da incompetência. A orquestração desta música continua a ser impressionante e a letra continua a ser brilhante. E o Elnur continua a ser a melhor voz masculina desta edição, mesmo que aqui lhe tenha corrido mal. Para além disso o Azerbaijão tinha o melhor background e a coreografia era absolutamente magnífica. Juntando isso às alusões ao "lobo" que fala o título da música, e esta música tem tanto de requinte como de magnificência. Podia ter sido uma top5 se não tivessemos um Elnur desinspirado, assim foi 12º lugar.


E fecho este momento reflectivo sobre as músicas do festival com a guerreira filha do demónio. Eu já sabia que ela conseguia ser medonha, mas ela superou as expectativas! Não é só a aparência, só o olhar dela faz com que eu me sinta do tamanho de uma formiga! E aquela voz? Parece que me esmaga com palavras. É impressionante esta presença em palco, é ainda mais impressionante perceber como ela não precisava de luzes, fumo ou roupas para se fazer ver. Nina é claramente uma cantora a sério e a quem se deve dar muito valor. Pena o 11º lugar.

As minhas previsões acabaram por bater mais ou menos certas. A Suécia ganhou e mais dois dos países que considerava favoritos à vitória conseguiram um lugar no top5. Espanha e Albânia floparam, tendo conseguido o 21º e o 17º lugares, respectivamente. Áustria conseguiu o último lugar e uns belos null points, o que faz desta canção a pior classificada de um país que joga em casa. A Alemanha foi no embalo dos null points, fazendo com que eu desejasse que a Lena ou o Roman Lob voltassem. Pelo menos esses dois sabem jogar este jogo. Este ano ficou também marcado pelo abanão no bloco do Norte, do qual fazem parte cinco países poderosos no concurso e dos quais só dois estiveram presentes na final: Suécia e Noruega. Mesmo em desvantagem numérica eles fizeram-se ouvir e a Suécia levou a melhor.

Espreitem a tabela classificativa final:


Por este ano terminou, para o ano há mais. A boa notícia? Já não falta um ano! Dia 10 de Maio de 2016 temos encontro marcado na Suécia. Até lá, é ouvir as preciosidades que este ano nos deixou. E rever incessantemente o criador da música israelita a estender-se ao comprido em cima do palco.

(Vejam bem ali do lado esquerdo! - estou-me a rir de novo com isto)

ATÉ PARA O ANO ESTOCOLMO!
(ou alguma cidade parecida)



Já anteriormente falei sobre o Eurovision Song Contest (podem ler aqui) e agora é hora de falar sobre a edição que vai decorrer este ano. Serão 40 países a competirem em Viena, na Áustria, e falta menos de um mês para o início do festival. As casas de apostas já estão loucas, os fãs igualmente, os tops surgem por todos os lados. Vários são apontados como favoritos e é deles que vou falar já de seguida, sendo sobretudo uma lista pessoal.

No geral, este é um ano com músicas muito equilibradas. Algumas destacam-se, mas praticamente todas acabam por morrer no embalo das baladas. Praticamente TUDO baladas. Não me lembro de ver um ano com tantas músicas calmas. Para além disso, nota-se que as músicas deste ano são muito mais comerciais. Não é mau, claro que não, mas na maioria dos casos isso significa perder identidade cultural. E sim, sou dessas fãs antiquadas que ainda acha que este é um festival cultural. Condenem-me.

De entre 40 músicas, estarão presentes 7 línguas, para além do inglês: português, espanhol, francês, italiano, montenegrino, finlandês e romeno. O pior rating dos últimos anos em relação a línguas. Três países enviarão músicas étnicas: Israel, Sérvia e Montenegro. Uma salva de palmas para eles.

Agora, as músicas!

O ataque ao 1º lugar!


Itália
Il Volo - "Grande Amore"


Ainda o Festival de Sanremo (final nacional italiana) não tinha terminado e os Il Volo já eram favoritos à vitória do ESC. Na verdade, são favoritos com razão e se fossem só os fãs a decidir, eles provavelmente ganhariam. Num género ópera-pop diferente de todos os outros a concurso, é uma balada fortíssima que ainda por cima nos traz a bela língua italiana. E o que dizer das vozes? Absolutamente perfeitas. Os Il Volo ganharam a votação das organizações de fãs e com certeza não há muita coisa que esteja entre eles e a vitória.

A Itália estreou-se no concurso em 1956 e venceu duas vezes. Esteve ausente por vários anos por amuo (sim, foi mesmo por amuo) e desde que regressou em 2011 só ficou uma vez fora do top10.


Suécia
Måns Zelmerlöw - "Heroes"


E quando é que a Suécia não foi favorita? Eles podiam enviar um cão para cima do palco a ladrar e mesmo assim seriam favoritos, só porque é a Suécia. Eles são o supra-sumo do concurso, os que podem, mandam e conseguem sempre bons resultados. Desta vez participam com um plágio de uma música do David Guetta que apesar de bem cantado não é surpreendente, é apenas do tipo que se ouve só porque soa bem. De qualquer das formas, um dos primeiros lugares é para a Suécia.

A Suécia estreou-se no concurso em 1958 e já venceu cinco vezes, a mais recente em 2012. Desde que existe o sistema de semifinais falhou a final apenas uma vez e nesse ano a cantora recebeu ameaças durante meses por ter falhado a qualificação.


Espanha
Edurne - "Amanecer"


A Espanha tem sido um país bastante injustiçado no concurso, já tendo aparecido no topo dos tops em vários anos e sem passar do 10º lugar. Este ano o país participa com um instrumental poderoso, uma voz igualmente poderosa e uma letra fraca que ninguém vai entender porque está em espanhol. Sinceramente, não acredito na vitória espanhola, mas a música merece no mínimo um top5.

A Espanha estreou-se no concurso em 1961 e venceu duas vezes. O país não costuma ser muito equilibrado em termos de resultados, estando muitas vezes no fundo da tabela.


Azerbaijão
Elnur Huseynov - "Hour of the Wolf"


Estou completamente apaixonada por esta música e quero muito que ganhe! O instrumental é lindo, a voz do Elnur é divinal e aquela letra, POR AMOR DE DEUS AQUELA LETRA! Uma letra sobre tolerância perfeitamente escondida atrás de mil metáforas, numa complexidade linda de se desvendar. Isto é material vitorioso e não me admiraria nada se ganhasse.

O Azerbaijão estreou-se no concurso em 2008 (precisamente com Elnur Huseynov, que ficou em 8º lugar) e venceu uma vez, em 2011. Desde que a sua entrada no concurso ficou apenas uma vez fora do top10.


Austrália
Guy Sebastian - "Tonight Again"


Já muita história rolou acerca da participação da Austrália e um dos principais pontos a reter é: a Austrália só poderá voltar a participar se vencer o concurso este ano. Isto para mim quer dizer que eles vão ganhar (sim, muita coisa neste concurso é feita nas costas dos fãs). Mas a verdade é que eles merecem! A música é super moderna e absolutamente viciante. Guy Sebastian tem um timbre óptimo  e esta música é das melhores. Se vencerem, será justo.

Os que podem mudar as contas


Geórgia
Nina Sublatti - "Warrior"


A Geórgia está longe de ser um dos países queridos do festival, mas este ano com certeza destaca-se, nem que seja porque vai ser representada pela filha do diabo. Toda a música é muito rude, desde instrumental a letra (que parece quase cuspida) até mesmo à voz. O conjunto dá algo ultra poderoso e é óbvio que a música está pronta para entrar na guerra pelos lugares cimeiros. Será provavelmente o melhor lugar de sempre da Geórgia.

A Geórgia estreou-se no festival em 2007 e nunca venceu o concurso, tendo sido o nono lugar o melhor lugar conseguido pelo país.


Estónia
Elina Born & Stig Rästa - "Goodbye to Yesterday"


O hype à volta desta música foi enorme desde início e eu não consegui encontrar-lhe o charme. Não é o meu tipo de música, mas sim, é uma boa música. E tem um instrumental que marca a diferença junto das outras. Adoro a voz da Elina e na verdade acho que eles fazem um bom par. Os fãs adoram, mas na realidade não acho que possa ganhar.

A Estónia estreou-se no festival em 1993 e venceu uma vez. A quantidade de vezes em que se qualificou para a final é equivalente às em que não se qualificou, portanto não é um país de grandes resultados.


Albânia
Elhaida Dani - "I'm Alive"


Esta não foi a música inicialmente escolhida pelos albaneses mas realmente eles mudaram para melhor. Adoro as sensações que este instrumental me transmite e a voz da Elhaida é simplesmente fantástica. A força que ela mostra mostra que realmente está viva e que vai lutar pela vitória. Tenho a certeza que irá conseguir um óptimo lugar.

A Albânia estreou-se no concurso em 2004 e o melhor lugar que conseguiu foi o quinto lugar, em 2012. Tal como os países anteriores, é bastante inconstante nos seus resultados.

Israel
Nadav Guedj - "Golden Boy"


É muito complicado prever seja o que for para esta música. A música é muito catchy e diferencia-se das outras por incitar a dançar, o que por si só é uma enorme vantagem. É um R&B misturado com sons étnicos e até tem dois refrões! Para mim, é uma verdadeira masterpiece, sou completamente viciada e nem ligo que a letra seja uma porcaria. Isto merece um óptimo lugar pela mestria de produzir música moderna sem perder a identidade cultural. Mas é Israel, e os prognósticos são sempre duvidosos para Israel.

Israel estreou-se no festival em 1973 e já venceu três vezes. Nos últimos anos tem sido um dos países mais injustiçados, não alcançando a final desde 2010.


Finlândia
Pertti Kurikan Nimipäivät - Aina mun pitää


Para que conste, eu acho esta música uma merda. E não, nem sequer vou amenizar o termo, é o que eu acho! Mas isso é porque eu sou uma cadela sem coração, coisa que a maioria das pessoas não é. A verdade é que esta música foi criada na totalidade por uma banda composta por portadores de autismo e síndrome de down. A ideia é mostrarem que as pessoas deficiente podem fazer o mesmo que todas as outras. Se a iniciativa é boa? Com certeza. Se a música é boa? Poupem-me. A única coisa que tem de bom é só ter um minuto e meio. Mas apesar de este ser um concurso de canções, muitos vão-se compadecer pelo esforço da banda e premiá-los apenas pelo esforço e porque são deficientes. E assim eles vão conseguir um bom resultado.

A Finlândia participa desde 1961 e ganhou apenas uma vez, exactamente com uma banda que marcava pela diferença (até foram acusados de satanismo). Os resultados não costumam ser brilhantes, mas a presença na final é uma constante.

Claro que isto são previsões e muita coisa pode mudar, inclusive com as apresentações em palco. Mas apostava um dedo mindinho em como o vencedor está nesta lista. Apostava o outro dedo mindinho em como pelo menos um destes países vai ser um flop - excepto para a Finlândia, que se ficar em último, é mais do que merecido.

Aproveitem para ver o meu top40:



E ouçam o recap com todas as músicas a concurso:


Podem ouvir as músicas da primeira semifinal aqui.
Podem ouvir as músicas da segunda semifinal aqui.
Podem ouvir as músicas já finalistas aqui.

(Se é para começar, começa-se com a música que introduz qualquer evento eurovisivo!)

Um pouco de história

Itália, 1946. A Europa vivia o fim da Segunda Guerra Mundial e as pessoas tentavam recompôr-se depois de tudo o que tinham passado. Numa tentativa de animar as pessoas, um floricultor de Sanremo, pequena localidade de Itália, propôs um festival anual de canções. A ideia não foi aceita até 1951, quando foi finalmente concretizada, nascendo assim o Festival de Sanremo, um dos festivais mais importantes do mundo.

Inglaterra, 1950. Nasce a European Braodcasting Union (EBU), fundada por 23 organizações de radiodifusão da Europa e Norte de África. Hoje são 74 os membros activos desta organização, espalhados por 54 países da Europa, África do Norte e Médio Oriente, mais 44 membros associados em 25 países diferentes. A maioria dos membros são serviços públicos de rádio e televisão.

Suíça, 1956. Organizado pela EBU e inspirado no Festival de Sanremo, nasce o Eurovision Song Contest (ESC), um concurso de música que pretendia não só unir os países no pós-guerra como mostrar a diversidade cultural entre esses mesmos países. Foram sete os países que participaram na primeira edição do festival: França, Alemanha, Itália, Holanda, Luxemburgo, Bélgica e Suíça.


Os meus pais nasceram em 1962, quando o Eurovision já ia na sua 7ª edição. Este ano será a 60ª. É muito complicado falar sobre algo com tanta história, com tanta música e com tantas línguas. 52 países já participaram no concurso, sendo a mais recente aquisição a Austrália, que se irá estrear neste ano. Não se deixem enganar pelo nome do concurso, ele realmente não é exclusivo da Europa: a única condição para um país participar é que seja membro activo da EBU. No total, foram cantadas 56 línguas diferentes, sendo que até línguas inventadas já existiram. Mais de 1400 músicas já subiram ao palco eurovisivo e estima-se que em cada ano cerca de 180 milhões de pessoas vejam o espectáculo. 

Mas como é que isto funciona? Suponho que seja a pergunta que vos vai na mente. De um modo simples, é um concurso de música, em que cada país envia o seu representante, e no qual há uma votação final que sagra um país vencedor. O país vencedor recebe a honra de hospedar o evento no ano seguinte (por norma). Actualmente (porque as regras já mudaram muitas vezes), o concurso é dividido em duas semifinais e uma final. Dez concorrentes de cada semifinal passam à final, onde se juntam ao BIG5 (Itália, Espanha, Alemanha, Reino Unido e França - os maiores investidores do concurso) e o país que hospeda o festival. Na final, cada país concorrente nesse ano vota nas suas dez canções preferidas, numa votação conjunta de pública mais um júri. A votação é atribuída em pontos: de 1 a 8, 10 e 12, sendo que os 12 são atribuídos à música preferida. O país com mais pontos vence.

O primeiro ano que assisti ao festival foi em 2006. Foi traumatizante por causa disto: 


A sério, ainda hoje tenho medo do Mr. Lordi. E COMO PODIA EU LEVAR A SÉRIO UM CONCURSO EM QUE VENCE ESTA COISA? Não sei. Acho que deve ser porque o meu pai via. Aí é que reside a magia, sabem? O meu pai cresceu a ver o festival e eu cresci como ele. Todos os anos nos juntamos em frente à televisão para ver. Milhares de famílias pelo mundo inteiro fazem o mesmo. É simplesmente mágico.

Então comecei a ver. Agora vejo todos os anos, começo já em Janeiro a acompanhar finais nacionais e... ah, sim. Não expliquei, mas as músicas são escolhidas por um de dois métodos, normalmente: por final nacional, que é um concurso em que o público escolhe a música, ou por selecção interna, que é quando a organização faz a escolha.

Ora, e nestas 59 edições passadas, o que já foi visto? Muita coisa, realmente. Houve um ano com quatro vencedores, houve o hat-trick da Irlanda, que venceu três vezes seguidas, houve o hat-trick do Johnny Logan, que venceu nas três vezes que participou. Vimos nomes conhecidos mundialmente como os ABBA ou a Celine Dion a vencerem o festival, e a Lara Fabian a ficar em segundo. Os Cascada também lá deram a sua graça!

Vimos mulheres com barba

Vimos mulheres vestidas de homem

Vimos homens vestidos de mulher

Vimos homens vestidos de... qualquer coisa

Vimos... isto...

E isto...

Ok...
(isto era uma música sobre fazer manteiga e abanar o que a nossa mãe nos deu)

Mas calma, também vimos coisas excepcionais!
(Esta performance + eu = amor eterno)


Vimos o Jimmy Jump a invadir o palco e a arruinar ainda mais a participação da Espanha, vimos Dana Internacional a ser a primeira mulher trans a vencer a competição, vimos guerras de palavras em directo, vimos romances a nascerem. Vimos aberturas fantásticas, arenas de fazer cair o queixo, performances de apaixonar. Mas sobretudo vimos muito boa música (assim como também vimos muita música que valha-me Deus) e, mais que tudo, vimos muitas pessoas. Milhares de pessoas, de dezenas de países, que se juntam num recinto e levantam as suas bandeirinhas para apoiar o seu país. E não importa que país se apoie, naquele recinto são todos amigos.

No final das contas, vimos isto:

Uma Europa unida pelo poder da música, não importa as divergências políticas. Naquele palco somos um só e durante três noites esquecemos o resto e apenas celebramos a música. E no final, a música e a diversidade cultural são os grandes vencedores da noite.

We Write The Story
E pelo menos uma vez no ano tentamos escrever de uma boa maneira.

Este ano o Eurovision Song Contest realiza-se em Viena, na Áustria. As duas semifinais serão nos dias 19 e 21 de Maio, enquanto a grande final será no dia 23 de Maio. Quarenta serão os países que participarão este ano. O programa é transmitido mundialmente pelo stream do Eurovision mas pessoalmente aconselho os streams da RTP (canal português), BBC (canal inglês) ou da SVT (canal sueco).