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Nesta nova fase da História do Sexo, vamos falar sobre a virgindade. Como ela é vista e tratada ao longo da nossa história. Um longo caminho cheio imposições, quase majoritariamente entre as mulheres, que se tornaram até moeda de troca. Comecemos.


Antes de entrar na explicação de como a sociedade vê a virgindade, é preciso defini-la.  E sim, ela pode ser mais complexa do que imaginamos. Para muitos ela é simples: ela resume a relação heterossexual de penetração peniana numa vagina. Como é esta visão que foi considerada válida para a maioria das sociedades, é a que usaremos. Porém, devemos deixar claro que existem muitas outras interpretações e questões que devem ser levantadas: sexo oral, sexo anal, masturbação mútua ou qualquer outra forma de sexo sem penetração devem ser consideradas válidas? Existe diferença da perda da virgindade entre um casal hétero que faz sexo anal e um casal gay?  Como uma lésbica perde a virgindade? Existe a perda da virgindade num estupro? Deixo essas questões ao leitor, assim como a valorização da virgindade em si e sua importância - eu apenas demostrarei como ela era vista pelos outros na história da humanidade.

Essa valorização da virgindade surge junto com o conceito de monogamia, que alguns historiadores acreditam que começou no neolítico (a idade da pedra polida). E assim surgiu a ideia de que a mulher não devia trazer para a união do casal lembranças de outras relações sexuais, assim garantindo o monopólio sexual da vida da mulher a um único homem.   

No entanto, a associação entre o rompimento do hímen e a virgindade não estava totalmente relacionada, como veremos mais para frente na história: para muitos povos era necessário romper o hímen antes de ela praticar sexo. Isso se deve ao “horror ao sangue”, algo presente em muitas sociedades: o sangue representa o perigo, o mal, a morte. (voltaremos a este assunto quando um dia falarmos da menstruação) Por isso, o sangramento que ocorre quando o hímen é rompido não deve estar presente na primeira relação de um casal - assim, vários povos criaram costumes e tradições de romper a membrana antes do coito da virgem.

Entre os aborígenes australianos, mulheres idosas perfuram o hímen das virgens. Na tribo Tukanos, no noroeste da Amazônia, o ancião mais importante penetrava o dedo na virgem até deflorá-la. Na Malásia, esse era o papel dos pais; enquanto em algumas regiões da Índia era da própria noiva, usando um falo de madeira. Isso repete-se em várias comunidades ao longo da história e do mundo.
A virgindade torna também fundamental para realização do casamento, e podemos já ver entre as primeiras civilizações como sumérios, babilônios e assírios que a cerimônia é um contrato entre duas partes (geralmente o noivo homem e o pai da jovem noiva). E, como um acordo, pode ser rompido se um dos termos não for cumprido - e um deles era a virgindade da noiva.

Interessante que entre os egípcios isso não era um problema. Não existia o tabu do sexo antes do casamento. Apenas em períodos mais recentes do Egito Antigo aparece um “presente de virgem”, quando o marido dava bens materiais à sua noiva caso ela fosse virgem em sua primeira relação sexual - o que mais parece ser um “bônus” do que uma obrigatoriedade na relação.

Porém, esse valor da virgindade na Mesopotâmia será o padrão que veremos nos próximos capítulos. Então voltem no próximo capítulo, quando veremos sobre as virgens gregas e romanas, aqui na História do Sexo.

Referência para leituras:

O site "InfoEscola" é usado por muitos adolescentes para seus trabalhos escolares. Leiam o que eles escrevem sobre o assunto e depois comparem ao que é descrito aqui. - Virgindade
Não duvide em nenhum momento, a masturbação nunca deixou de ser realmente um tabu na nossa sociedade. Mas, sua aceitação começou a melhorar naquilo que batizamos de “Revolução Sexual” nos anos 60. Quando uma classe média americana e europeia cresceu, educou-se, e estava pronta para aceitar novas liberdades.


Um dos sexólogos mais famosos da época, Alfred Kinsey (falarei bastante dele num post futuro) afirmou que a masturbação entre homens e mulheres era normal. Provou isto através de uma pesquisa de números altos, em que ambos sexos afirmavam se mastubar. O Cirurgião General dos Estados Unidos (um cargo americano que serve como porta voz aos assuntos de saúde nos EUA), a doutora Joycelyn Elders foi controvérsia ao afirmar que achava que a masturbação devia ser ensinada na escola como algo saúdavel e seguro. O filósofo Michel Foucault afirmou que a imagem de terror que os pais passavam sobre masturbação aos filhos era uma forma de controle de poder e prazer.  Tal controle que deveria ser erradicado da sociedade.

A masturbação nunca deixou de ser algo particular, feita escondido dentro do quarto ou banheiro. Mas sua principal mudança demonstra como os próprios gêneros começaram ver o sexo. Caso tenha lido os posts anteriores viu que a masturbação era mais problemática entre os homens, o perigo do gasto do sêmen procriador, enquanto entre as mulheres era apenas uma demonstração de luxúria. Mas quando o tabu da necessidade da procriação caiu, provando cientificamente que o jovem homem sempre produzirá esperma, então o principal problema deixou de existir. Mitos como surgimento de espinhas ou pelo na mão ainda existem, assim como pais ainda brigam se pegarem um filho no flagra, mas de pouco a pouco nas últimas décadas isso foi mudando.


Porém, entre as mulheres essas mudanças são bem mais lentas, como tudo que envolve a sensualidade feminina. já que a sociedade patriarcal reprime suas vontades e desejos. Enquanto é comum adolescentes homens falarem que se masturbam sem grandes julgamentos, a imposição de pureza e virtude que ainda é imposto às mulheres faz com que ainda seja considerado errado dizer satisfazer à si mesma. E isso reflete tanto em suas vidas que muitas mulheres não se masturbam, simplesmente por elas mesmas considerarem errado.


Lento mas também em evolução. A explosão de produtos eróticos tornou-se um mercado altamente lucrativo.  Vibradores e dildos de todos os tamanhos e formatos são vendidos, e novidades são criadas constantemente. Entre os homens, existem as  lanternas eróticas, que são vaginas artificiais com vibração interna, além de bonecas eróticas. Assim como tem todo um mercado da estimulação visual como filmes pornôs e revistas eróticas.

O cinema hollywoodiano trata o tema nas mais diversas formas, do cômico apresentando em “American Pie” e “O Ditador” ao natural em “Cisne Negro” e “Ela”.  Alguns apresentam mensagens interessantes como em  “Beleza Americana” na qual a masturbação era mostrada como uma forma de alívio ao um homem casado e frustrado sexualmente.  Poderíamos criar toda uma análise de como a masturbação é apresentada na mídia, mas deixo o leitor analisar isso.

De qualquer forma, é quase certeza que o tema não parou no tempo.  A ciência médica não condena mais, e até incentiva mostrando fatos que indicam que é benéfico fisica e psicologicamente. As religiões, no entanto, siguem condenando. E ainda veremos muito de como o tema irá mudar ao passar dos anos. 


Referência para leituras:
Deixarei dois infográficos com informações sobre a masturbação na atualidade


Quando estudamos Renascença na escola, acreditamos que a ciência vinha como inimiga da religião, como se tivesse o objetivo de negar o passado e construir um novo futuro. Usamos o exemplo do centro do Universo: como se a religião insistisse que o centro era a Terra e a ciência contradizendo com o Sol. Mas isso não é uma grande verdade em várias áreas na esfera da ciência, em muitas delas ela servia mais para comprovar aquilo que já era acreditado, e entre elas a sensualidade humana.


Por isso, não é espanto como cientistas começaram a criar argumentos para condenar a masturbação que a religião tanto já abominava. Usando o termo religioso, o Dr. Balthazar Bekker lança em 1716 o panfleto: "Onania, ou o hediondo pecado da auto-poluição e todas as suas assustadoras consequências, em ambos os sexos, considerado: Com aconselhamento espiritual e físico para aqueles que já feriram à si mesmos com essa prática abominável".

E além deste título pequeno, vinha uma lista bem abrangente dos males que poderiam causar àqueles que se masturbavam, como problemas estomacais - que podiam variar da perda de apetite ou fome voraz -, além de náuseas, vômitos, tosse, rouquidão, impotência, falta de libido, magreza, palidez, espinhas, perda de memória, ataques de raiva, epilepsia, febre, burrice e até suicídio. Ou seja, se você tivesse alguma destas coisas, obviamente era porque se masturbara.

Outros cientistas confirmaram isso anos depois, como o médico inglês Robert James no livro "A Medicinal Dictionary" de 1743; o suíço Samuel-Auguste Tissot no "L'Onanisme" de 1760; e o americano Benjamin Rush num capítulo de "Of the Morbid State of the Sexual Appetite", de 1812. Poderia ficar relatando livros e tratados que condenavam totalmente a masturbação, ou condenando quem fazia ou mostrando as "assustadoras consequências", por horas.  Até filósofos como Kant e Rousseau decorreram como o ato era prejudicial.

Não seria de se espantar que os governos, até então embasados com essas evidências científicas, tentassem proteger seus cidadãos. E uma forma era punir o ato para que ninguém fosse prejudicado. Por exemplo, no estado de Connecticut, nos EUA, durante o século XVII, era condenado à morte quem se masturbava. Na Inglaterra, as calças dos meninos eram costuradas de uma forma que eles não conseguissem tocar o pênis pelo bolso. Vários lugares proibiram meninas de andar de bicicleta ou a cavalo justamente porque induzia a masturbação.

O Dr John Harvey Kellogg, um americano e grande opositor da masturbação, defendia cirurgias para masturbadores, como circuncisão sem anestesia nos meninos, e aplicação de ácido no clitóris das meninas. Além disso, acreditava que uma alimentação mais leve, sem carne, poderia acalmar esses desejos nos jovens, por isso inventou o sucrilho de milho em 1906 (isso mesmo, a empresa do tigre Tony é deste cara).

Esse grande tabu obviamente chegou ao Brasil, tanto que é conhecido o relato do médico João da Matta Machado, em 1875, de que a masturbação devia ser combatida nos internatos de Minas Gerais, e um jeito eficiente era deixar sempre um aluno em vigília enquanto os outros dormiam. Caso ele pegasse alguém em flagrante, acordaria todos e daria um sermão pela prática imunda, para que depois o masturbador sofresse escárnio de seus colegas.

Muitos jovens e adultos de ambos os sexos foram levados para sanatórios, eletrocutados, mutilados, usaram cintas de castidades e outros acessórios incômodos, sofreram humilhações e foram punidos por serem pegos realizando o ato do prazer solitário. Felizmente, isso começaria a mudar no século XX.

Referência para leituras:
Vejam um exemplo destas escritas científicas sobre a masturbação, o "Le Livre Sans Titre" - Leia aqui.
Ah, Sense8! Como esperei por você. Como ansiei por você. Desde que o Fabrizio mostrou o trailer, sei lá quanto tempo atrás, eu literalmente contei os dias até a estreia. Vi os trailers inúmeras vezes e isso foi meio que uma merda, porque eu, com minha cabecinha desgraçada, já montei todo um roteiro do que devia acontecer na série com a premissa mais genial de todos os tempos desde Lost!


Falando em Lost, amantes de Sayid (como eu) vibraram ao ver Naveen Andrews no elenco. Aliás, isso deve ter sido um fator importante para a minha pré-paixão pelo seriado.


Sense8 é a coisa mais maluca e genial que vi nos últimos tempos. São 05h da manhã no momento em que escrevo isto e faz meia hora que terminei de ver o décimo segundo dos doze episódios que foram liberados, bem, hoje =B

Ela não é boa a ponto de fazer alguém normal sentar a bunda num sofá e ver 12 horas seguidas de conteúdo, mas eu sou maluca - e estava viciada na minha ideia genial de roteiro, não esqueçam disso. Os episódios são longos, tendo em média 50 minutos, e se arrastam se você não estiver ansioso pela próxima cena, quando eles finalmente vão se encontrar e lutar contra o crime. Pausei minha maratona apenas três vezes: duas para comer, uma para tomar banho, e fiz tudo o mais rápido possível só para voltar logo para Sun, Riley, Kala, Nomi, Amanita, Lito, Hernando, Daniela, Will, Wolfgang, Capheus e Jonas. Não se assuste, tem mais de oito personagens aí, mas é porque cada um dos sensates tem sua própria história, além da trama principal, o que me fez ficar um pouco decepcionada.


Vou contar o que eu imaginava que seria: essas oito pessoas totalmente desconhecidas uma para a outra, por algum motivo misterioso agora estavam conectadas, podendo não apenas falar "pessoalmente" umas com as outras estando fisicamente em países diferentes, mas também sentir o que os outros sentiam e acessar os conhecimentos dentro da cabeça deles. "Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades", já diziam, então é óbvio que algum grupo de inimigos poria os sensates em perigo, querendo matá-los. E como cada um é de um lugar do mundo, obviamente dariam um jeito de irem todos para o mesmo lugar, montariam um grupo e lutariam contra os bad boys. Genial! Seria uma versão melhorada do grupo de Power Rangers, misturado com os poderes de X-Men e o mistério de Lost. Ação pura!

Bom... não é o que acontece. O que nós temos é um mistério de Lost made in China, misturado com todos os filmes do Quentin Tarantino e uma pitada de... ahn... não sei. Pense em algo meio ridículo. Tipo, com cenas de ação clichês, tiradas clichês e coisas impossíveis acontecendo como se fosse muito natural. E muito sexo. E muitas drogas.

Os personagens são legais, preciso dar credito. Eles são facilmente apegáveis. Eu com certeza já amo Sun, Hernando, Lito, Amanita, Wolfgang e Capheus do fundo do coração. Os outros são ok, também. Não tem um que eu não goste, mas Will é o típico herói americano, e isso me noia um pouco. Por que o mundo sempre tem que ser salvo por um herói americano? Ainda mais se ele for policial, aí é uma regra mesmo. Ele é o principal vínculo de conexão com Jonas Maliki (Naveen Andrews), o "pai" do grupo. Sua trama pessoal é basicamente nula, e seu papel principal é "liderar" os sensates. E isso é uma droga, mas tá. Ele parece ser o mais "poderoso" deles, tendo essa... coisa sensitiva desde criança, mas não ficou bem explicado.


Riley é a típica menina problemática que é salva pelo herói americano, e isso me noia também. Mas tirando essa parte, gostei bastante dela, principalmente sua relação tchutchuca com o papai <3 tão bonitinhos. Ela é DJ e sua trama é baseada em algum segredo tenso do passado que a fez sair da Islândia, onde nasceu e cresceu, e ir morar em Londres, onde se mete com as pessoas erradas e acaba presenciando um crime. E é claro que os bandidos a perseguem querendo a droga e o dinheiro que ficaram com ela sem querer no meio da confusão.


Nomi é genial. Adorei terem colocado uma trans como protagonista, adorei terem dado a essa trans uma namorada mulher e adorei em absoluto eles baterem tanto na tecla do preconceito, porque sim, isso precisa ser mostrado e falado. Mas ter tantas cenas de sexo entre Nomi e Amanita me deixou meio bolada. Não era necessário. Não colocaram tantas cenas de sexo entre casais héteros, nem entre o casal homossexual masculino da história, maaaas tudo bem, relevei porque eles pegaram uma atriz trans para o papel, então compensa <3

Sua trama é, talvez, a mais bacana. Ela é a primeira "sequestrada" pelos inimigos e precisa lutar para fugir e se salvar, ainda sem ter muita ideia do motivo pelo qual está sendo caçada. Nita, a namorada fiel-escudeira-de-cabelos-maravilhosos-totalmente-apaixonada é sua principal ajudante, disposta a qualquer coisa. E em meio a tudo isso, Nomi ainda precisa lidar com o preconceito da própria mãe, que se recusa a chamá-la de qualquer coisa que não seja Michael, seu nome de batismo. Eee, mais além disso, é uma hacker foda, então é peça importante na batalha contra a organização do Mr Whispers.


Kala, a indiana fofa, é meio sem sal. Shippei muito ela e Wolfgang, mas toda vez que Rajan aparecia e falava coisas lindas, eu não entendia como ela não podia amá-lo (mentira, entendo sim, mas Rajan <3 ). Ela é uma farmacêutica e sua trama é basicamente toda em volta do seu casamento com um homem que ela não ama. Ela usa suas skills químicas para ajudar os outros algumas vezes, mas tirando isso... não faz grandes coisas além de reclamar que está prestes a se casar com alguém sem ter amor. Mas preciso mencionar que suas ideias sobre ciência e religião me deixaram emocionada.


Wolfgang. Oh, Wolfie. Por que tão sexy? Único nu frontal masculino da série, que está gerando o que falar ("OMG! Um pênis!" e essas coisas). Ele é o típico anti-herói que todos amam. Wolfgang não é um homem bom e correto, ele é um criminoso, mas mesmo assim todos quer um Wolfie em suas vidas. Ele teve uma infância problemática com um pai abusivo e se tornou um adulto violento, mas querido (isso é possível, sim senhor). Rouba, bate, mata, e ainda assim ganhou meu coração sendo tão protetor com seu amigo de infância. Além de ser alemão, porque alemães <3

Sua trama envolve toda uma "máfia" da qual ele meio que faz parte, com seu tio sendo o "Poderoso Chefão" e seu primo invejoso arranjando encrenca com ele. É interessante, mas meio clichê de filmes de mafiosos, ladrões e essas coisas.


Lito. Oh, Lito. Por que tão sexy²? Lito e Hernando são as coisas mais jksfkndkfhdg da série inteira. Shippei muuuuito, sofri muuuuito e amei muuuuito. Os dois, junto de Daniela, com certeza formam o núcleo cômico de Sense8, e adorei terem colocado esse "tempero mexicano" na produção. Quase tudo tinha ar de novela mexicana quando a história era focada neles (a propósito, a série toda é assim: o núcleo indiano tem clichês de filmes indianos, o coreano a mesma coisa, o alemão também e assim por diante. Esse é um ponto bastante interessante do seriado).

Lito é um ator mexicano gay, que precisa esconder sua sexualidade se quiser continuar sua carreira de "herói" nas telinhas. Seu namorado secreto, Hernando (Alfonso Herrera... sim, aquele de RBD), é o personagem mais fofinho de Sense8, e eles conseguiram me fazer sentir o amor que aqueles dois personagens têm um pelo outro.

Lito é meio apagado na grande trama, mas ajuda algumas vezes com suas skills de ator e mentiroso profissional.


Capheus é meu amorzinho. Tão querido, tão simples, tão fodido. Geralmente me apego a essas personagens fodidas. A relação dele com sua mãe é linda, a relação dele com o amigo Jela é linda também. Até a relação dele com Amondi é fofa. Ele é sempre aquele alívio, em comparação aos outros sensates sempre tão sérios e tensos. Sinto algo zen e bonito quando ele começa a falar com seu jeito querido e humilde. Ele parece ser o melhor a aceitar essa "conexão" misteriosa, não lembro de tê-lo visto desesperar ou achar que estava ficando maluco em momento algum, como os outros.

Capheus é fã de Jean Claude Van Damme e dirige um ônibus chamado "Van Damn" em homenagem ao ídolo. Morando em Nairóbi, no Quênia, ele leva uma vida muito humilde e simples. Sua mãe está morrendo graças a AIDS e ele faz de um tudo para conseguir os medicamentos necessários para ela, inclusive se meter com os traficantes e criminosos da região, botando a própria vida em risco.


E por fim, mas definitivamente não menos importante, a linda Sun. Sun é coreana e minhas comparações com Lost começam aí, desculpa gente. Mulher coreana, chamada Sun, rica, com um pai dono de uma grande empresa, que convive com o machismo na família, mas quer se libertar e tem um segredo. Tirando () isso, as duas não tem nada a ver. Sun-Sense8 é uma empresária, vice-diretora da companhia do pai, mas não tem o reconhecimento que merece exclusivamente por ser mulher. Seu irmão mais novo é um completo babaca riquinho que leva todo o crédito exclusivamente por ser homem. Lá pelas tantas, as autoridades descobrem que alguém na empresa está roubando dinheiro e ela precisa decidir se assume a culpa para não prejudicar a família - que sempre a desprezou -, considerando que será presa se fizer isso.

Ela é, talvez, a minha preferida. Tem esse ar de mulher frágil, pequena, magrela... mas luta que é uma beleza! Acho que das quatro mulheres, ela é a mais forte tanto fisicamente quanto psicologicamente.


Como disse, cada um deles tem sua própria trama e são ajudados ou influenciados pelos outros sete sensates ao longo das próprias jornadas. Nada de Power Rangers lutando por sobrevivência e justiça. Apenas 8 pessoas "comuns", com problemas "comuns", lutando cada uma a sua batalha - o que não deixa de ser importante, afinal de contas. Meio boring para quem estava esperando algo mais... fantástico?! Mas inegavelmente real. E isso não significa que eles não partilhem experiências... hmmm... singulares.



Esperei ansiosamente pelo momento em que eles fossem se encontrar pessoalmente - e provavelmente foi o que me deu fôlego para assistir tudo em um dia só -, então fiquei frustrada no final. Mas, apesar disso, achei bom. Eles não precisam estar no mesmo lugar, pois estão sempre conectados. E se for renovada e tiver outra temporada, espero sinceramente que eles comecem a focar na mesma batalha contra Whispers e sua organização do mal, e deixem suas brigas e dramas pessoais de lado. Não precisam ir todos para o mesmo lugar, mas por favor, um pouco de foco e respostas não vão fazer mal a ninguém.

Ponto positivo: adorei terem usado atores dos países em questão (em sua maioria, é verdade... Miguel Ángel Silvestre é espanhol e não mexicano, Aml Ameen e Tuppence Middleton são ingleses, e não queniano e islandesa, respectivamente), mas me incomodou muito não falarem em suas línguas originais. Entendo que seria uma dificuldade maior no sentido técnico e comercial, ok, ok... podemos usar essa desculpa... mas mesmo assim, eles podiam falar coreano, hindi, suaíli, islandês, espanhol, alemão pelo menos enquanto conversavam com pessoas de fora do círculo "sensate", né?

Tecnicamente a série está cheia de erros de continuidade, mas mais uma vez, entendo que deve ter sido absurdamente difícil gravar a cena em uma locação e depois a mesma cena, do mesmo jeito, com os mesmos atores, em outra. Errinhos compreensíveis que não influenciam no resultado final, mas talvez incomodem alguns dos espectadores mais observadores (ou chatos, como eu).

Já o som... ninguém realmente liga para o som, mas... ah, dane-se, preciso falar do som! É primoroso! Não apenas os grandes efeitos sonoros, mas os pequenos detalhes. Deve ter sido demais editar o som de Sense8! Ouvi até um Wilhelm Scream (sou dessas toscas que começam a rir quando ouvem esse grito, hehe). Inclusive - não que tenha algo diretamente relacionado, mãs - a cena mais bonita, na minha opinião, é aquela que conecta os oito sensates pela primeira vez ao mesmo tempo. E isso acontece através de uma música:






Apesar de ter sido muito crítica - talvez? -, gostei bastante da série. Não era o que eu esperava, então deixando de lado minhas frustrações pessoais, ela foi muito bem feita e muito bem bolada. Faltou alguma coisa, mas acho que isso se explica com uma frase que li por aí (não lembro onde, agora, desculpa): ela parece na verdade um grande piloto de 12 horas. Parece uma apresentação, uma preparação para algo maior que está por vir. Então, esperemos que seja renovada, amém.

Pelo que vi na internet, a recepção do público parece ter sido boa. É um pouco confusa no começo apresentando tantos rostos e nomes novos, e te lançando dezenas de perguntas, mas normal, né. As únicas reclamações que vi foram disso, de pessoas que acharam "chato" porque não estavam entendendo nada. Mas aos poucos você vai tendo as respostas, não desista tão rápido! E que comecem as teorias malucas!
Antes de entrar na época contemporânea, é importante falar sobre os conceitos da masturbação de acordo com as religiões ocidentais, já que elas são grandes definidoras da moral de todo o Ocidente.


Para começar, falaremos das religiões cristãs, já que todas bebem da mesma fonte, a Bíblia. A principal passagem que é usada como argumento contra a masturbação, é a história de Onã, presente no primeiro livro, a Gênesis. Vou dar um pequeno resumo:

Onã era filho de Judá, neto de Jacó. Seu irmão primogênito, Er, era mau e foi morto por Deus, mas era preciso seguir a importante descendência do patriarca, por isso realizaram um "casamento levirato", ou seja, casaram Onã com a cunhada e viúva de Er, Tamar. E funcionaria assim: caso Tamar engravidasse de Onã, seus filhos seriam, na real, descendentes de Er aos olhos de Deus, e receberiam a herança de Judá. Caso não tivesse, Onã que a receberia. A Gênesis 38:9 diz que, ganancioso, "Onã soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a Er", então Deus matou Onã também.

E esse versículo tornou-se o principal argumento para justificar o porque da masturbação ser errada, afinal, Deus mata quem "derrama o sêmen na terra".  Mesmo que, primeiro, Deus o tenha matado por ser ambicioso, e segundo, que a interpretação mais óbvia desta passagem refere-se ao coito interrompido, ou seja, Onã fez sexo com Tamar, mas gozou fora. Enfim, o desperdício de sêmen de qualquer forma era um pecado. Além disso, por causa desta história, é ainda muito usada a palavra "onanismo" para referir-se à masturbação masculina.


(Ah... caso queiram saber o que aconteceu com a decadência de Judá: ele mesmo teve filhos com sua nora, e Tamar teve os gêmeos Perez e Zerá.)

Não existe uma vertente da cristandade que vê de forma diferente. Católicos, ortodoxos, protestantes, luteranos, adventistas, testemunhas de Jeová... todos condenam a masturbação de forma igual.

Entre os Judeus segue a mesma ideia de Onã para justificar a proibição, a "extração do sêmen em vão", mas existem discussões que apoiam que é permitida a masturbação para recolher o sêmen a ser usado na inseminação artificial ou fertilização in vitro.

No Islamismo, de acordo com os xiitas (uma das divisões do Islã) é proibido e pronto. Entre os sunitas (outra divisão), varia de acordo com as sub-divisões e estudiosos. Pode ser haram (pecado) ou halai (permitido), mas apenas se estiver em duas situações: medo de cometer adultério ou não ter meios para casar. Uns até mesmo dizem que apenas é permitido em situações onde não aliviar vai gerar sofrimento, como ser um viajante, um prisioneiro ou um mendigo, por exemplo. Mas estes que veem uma certa abertura também são poucos, a maioria considera proibido mesmo, como os xiitas.

Nas três religiões, a masturbação feminina não é tão condenada quanto a masculina, pois para eles não é um pecado contra a vida, não há perda da "semente". No entanto, todas elas afirmam que é errado também, mas a justificativa envolve mais ter os "errados pensamentos impuros",  "manter a pureza de espírito", e outros argumentos que envolvem mais o estado puro da mulher, do que uma explicação específica como a masculina.

Com isso, à partir do século XVIII a ciência começou a tentar explicar biologicamente os males da masturbação para comungar com que a religião já dizia, e isso será o assunto do próximo post.

Referência para leitura:
Uma dica válida é sempre ler os livros religiosos: Bíblia, Torá, Alcorão, mesmo que você seja de outra religião ou ateu. Conhecer estes livros é conhecer a sociedade onde vivemos.


Uma forma de entender a sexualidade na Idade Média é através de livros penitenciais, escrito por religiosos católicos. Eram verdadeiros manuais que tentavam estabelecer uma regra fixa para cada tipo de pecado contado por um confessante. Um padre, ao ouvir uma confissão de um aldeão ou nobre, podia usar os livros como referencia e dar a penitencia mais adequada.
 
Um dos mais influentes no século XI foi o "Decretum" de Burchard de Worms. Nele já indica que praticar a masturbação era um pecado e precisava ser punido. Para tal ato, ele sugeria ficar 10 dias de jejum com apenas pão e água. Caso usasse uma tábua de madeira com um furo, aumentava mais dois dias de castigo. Para as mulheres isso era muito mais grave, e ficariam um ano tendo que jejuar todas as quartas, sextas e sábados, além do Natal, Páscoa e Pentecostes.


De qualquer forma, a masturbação era o ato menos pecaminoso numa escala: masturbar, fornicar, adultério, sodomia, bestialidade e incesto. Então o prazer solitário era bem menor nessa escala, do que se relacionar entre irmãos.


Lembrem-se, o ato era feito por todo mundo no começo da Idade Média, como nos dias de hoje, com influência romana era apenas um ato feio de se fazer, mas banal. No máximo você recebia uma bronca do padre local se confessasse à ele. E isso foi crescendo e condenado através dos séculos, como vimos no penitencial de Burchard.


Um século depois do "Decretum", o arcebispo Gui de Roye sugeriu que apenas os bispos podiam masturbar-se, mas isso não durou.


No século XV, Jean Gerson, teólogo da Universidade de Paris, escreveu um tratado de como ouvir a confissão de uma masturbação. Quais perguntas fazer e até dizer que todos faziam, e se o confessor negasse, devia falar como mentir à Deus era tão pecado quanto. Dizia que pais e mestres deviam sempre lembrar que masturbar-se levava-os à danação eterna, e sugeria alguns remédios para os jovens: banho frio, flagelação, sobriedade, preces e boas companhias.


O santo São Tomas de Aquino dizia que masturbar era um dos pecados mais terríveis que um homem podia fazer, pois ia contra o único proposito natural e divino do sexo, procriar-se.


Uma ilustração medieval mostrando uma forma interessante de mastubar-se
Mas por que os homens medievais ficaram tão preocupados com a masturbação? Um dos vários prováveis motivos é justamente isto, a procriação. Após um terço da população morrer pela Peste Negra, era preciso povoar novamente a Europa, e desperdiçar semem para eles era um grande problema.


Não é por acaso que muitos dos mitos que persistente até hoje sugiram nessa época. Se um menino masturbar-se, cresce pêlos, espinhas ou calos na mão. Enquanto as meninas provavelmente tinham sido possuídas pelo demônio ou enfeitiçada por uma bruxa.


E o que era um pecado, viraria um enorme tabu no começo da idade contemporânea.


Referência para leitura:


Um livro que resume bem a sexualidade na Idade Média é "Sexo, Desvio e Danação - As minorias na Idade Média" do Dr. Jeffrey Richards. Vale a leitura.


Começamos com um conto narrado por Diógenes de Sinope, filósofo grego do século V a.C., que conta que o inventor da masturbação foi o deus Hermes. O deus um dia encontrou seu filho desolado, pois este não conseguia o amor da ninfa Eco, então o pai divino ensinou ao filho como aliviar seu sofrimento sexual, usando a masturbação. Pan então ensinaria aos pastores isolados tal técnica.
Pan em seu momento íntimo

E é assim que os antigos gregos viam a masturbação, um substituto saudável e comum de quando eram impossibilitados de terem outras formas de prazer sexual, ou para evitar terem filhos ilegítimos. 

Acreditavam também que a frustração sexual podia destruir uma pessoa, por isso satisfazer a si mesmo era importante para a saúde mental. 

Existem poucos escritos que afirmam como era a masturbação feminina, porém existem relatos de uma palavra específica para isso: anaphlan (traduzido como fogo alto). Além disso, filósofos escreveram que o ato era para ser incentivados às mulheres antes do matrimônio.


Para o auxílio da prática, a cidade de Mileto ficou conhecida por fabricar os melhores ólisbos das cidades gregas, que eram pênis artificiais feitos de couro macio. Existem pinturas de mulheres usando os ólisbos sozinhas, em duplas, em grupo, algumas penetrando no ânus, ou usando até dois ao mesmo tempo em cada orifício. Também é de conhecimento que as hetairas, uma espécie de prostitutas de luxo, usavam em apresentações eróticas durante banquetes. No entanto, alguns relatos romanos sugerem que o ato de masturbação deve ser feito antes do ato sexual, para prolongá-lo.  
Apesar da crença geral, muito do moralismo cristão iniciou entre os romanos, então a masturbação no Império Romano já começa a ser vista como um tabu. Para uma sociedade que acreditava que cada romano era um futuro soldado, a masturbação podia diminuir a líbido sexual e, como consequência, a procriação. Outros textos diziam que era um ato que devia ser feito apenas com a mão esquerda, a amica manus ("a mão amiga"), pois a mão direita era dedicada a tarefas mais nobres. Isto é reafirmado num grafite num muro preservado em Pompeia, onde estava escrito "quando minhas preocupações oprimirem meu corpo, com a mão esquerda eu libero meus fluídos reprimidos".

Se os escritos do poeta Marco Valério Marcial do século I d.C., servirem como base para o que o povo romano achava da masturbação, o ato era considerado como uma forma inferior de libertar os desejos sexuais, algo feito por escravos que não tinham parceiros. Porém, ele mesmo num poema afirma que se masturbou ao pensar num escravo menino.

Algo de escravos, mas ao mesmo tempo, algo proibido para escravos. Principalmente aqueles que eram comprados para satisfazer as vontades sexuais de suas mestras, que eram esposas de generais que viviam longe, normalmente guerreando. Eles compravam jovens bem dotados e viris para elas, e embora não fosse algo extremamente público e legal, era comum. Para isso, precisavam estar sempre com pique sexual, e por isso eram proibidos de se masturbar. Alguns usavam cintos de metal, que impediam o pênis de ficar ereto, outros, se fossem pegos se masturbando, eram flagelados com uma vara no órgão sexual e tinham o pênis enfaixado com um tecido com ervas e pimenta. Caso insistissem, eram castrados e tinham as línguas arrancadas para não contarem os segredos que tinham entre a mestre e ele.

Cinto de castidade romano para escravos

Por fim, é importante dizer que a própria palavra masturbação vem do latim romano, embora não exista um consenso entre os linguistas - uns dizem que Mas é pênis (derivado de Male, Homem) e turbare é agitar. Outros falam que vem de uma variação de sturpare que é "cometer um erro sexual contra", neste caso, com mão, a Man.

E como dito, os estigmas que começaram com os romanos, só piorariam muito mais entre os cristãos, como veremos no próximo capítulo: a Idade Média.


Algumas referências para consulta:
  • Os livros "Sexuality in the Roman Empire" de Amy Richlin e o traduzido "Amor, Sexo & Casamento na Grécia Antiga" de Nikos A. Vrissimtzis.
  • Sempre vale ler todas as pichações escritas espalhadas por vários muros e paredes da cidade de Pompeia, que após sua destruição pelo vulcão Vesúvio, deixou para a posterioridade incontáveis materiais e fontes históricas. Vejam neste site: Pichações de Pompeia.